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Como ajudar um dependente químico que recaiu?

Para alguém que compartilha além de um comportamento adictivo, a dependência química, conseguir visualizar a necessidade de ajuda para trazer de volta uma vida saudável não é algo simples.

Não é fácil para a pessoa que sofre da dependência química e da doença da adicção conseguir transformar sua vida sozinha. Não é a toa que a expressão “sozinho(a) eu não consigo” tem grande relevância em grupos de apoio e clínicas de recuperação. Pois o tratamento da doença por si, envolve muitas outras questões além de tratar somente a doença. O procedimento envolve lugares, pessoas, hábitos além de família e comportamentos.

Quando se está em recuperação, velhos hábitos e a maneira de se comportar começam a se transformar. Não é fácil reprogramar o seu cérebro novamente para conseguir se adaptar à um maravilhoso mundo novo limpo. Vários pensamentos e sentimentos têm de ser supridos para não gerar atitudes que entram no processo de recaída comportamental e por fim a recaída na substância de escolha. Mas recaídas fazem parte do processo de recuperação, e é aí que o dependente químico começa a entender como dominar os famosos “evites”. Mas enfim, vamos ao que interessa.

Como ajudar um dependente químico que recaiu?

Essa pergunta até pode parecer fácil, mas não é. Vou tomar como exemplo a minha vida pessoal e minha experiência no processo de recaída. Para poder ajudar uma pessoa que sofre da dependência química têm de se olhar o processo de recaída dela no geral.

O comportamento adictivo é o mesmo, mas a equação da recaída envolve diversas variáveis incluindo a quantidade de recaídas anteriores à essa. Pois cada processo é único e as variáveis também se alteram demasiadamente.

Meu nome é Renan e eu sou um adicto em recuperação. Sou dependente químico há 10 anos e sofro do comportamento adictivo há 8 anos. Durante os anos de 2014 à 2016 foram os anos em que mais sofri como minha doença até minha primeira luz de sobriedade no dia 21 de julho de 2016 quando fui institucionalizado.

Fui internado e aí descobri como é maravilhoso olhar pra si. Mas estar internado é muito fácil. Estar em um lugar, privado de liberdade e tecnicamente “seguro” é muito simples mas viver fora da instituição é muito diferente. Lá dentro, você aprende as técnicas para ficar bem fora mas nem sempre todas as técnicas dão certo, pois como disse as variáveis são muito diferentes.

Na minha primeira recaída, depois de meses sóbrio e envolvido em N.A, em 21 de janeiro de 2017 onde eu estava morando com meu pai e minha madrasta foi uma processo decisório para que meu pai rompesse comigo o cordão umbilical de dependência emocional.

Meu pai era o cara que se eu precisasse 2hrs da manhã dele me ajudar com um problema (mesmo que sem saber era relacionado à droga), ele me ajudava. Ele não sabia o que fazer para eu ficar bem. Era na conversa, numa saída, num jantar. Literalmente ele parava tudo, pra poder me dar atenção.

Várias vezes por falta de vivência e maturidade eu ajudei muito a ele desgastar sua vida pessoal com a sua esposa. Enfim, depois dessa recaída, nos afastamos muito. E isso foi crucial para ambos. Ele se fechou para comigo, e me “devolveu” para minha mãe começando a olhar mais para si mesmo e para seu relacionamento.

Essa sensação de escanteio que senti durou por vários meses e até mesmo anos mas me fez olhar para minha família materna, cuja eu sempre reclamava para ele. Eu reclamava mas era igual, era muito difícil ver.

Eu reclamava de pessoas que me amavam, mas eu era exatamente igual. É como sempre falam, é no desconforto que aprendemos e damos o primeiro passo para a mudança. Não estou reclamando do meu pai, porque hoje eu não me martirizo mais por isso mas acho maravilhoso eu poder estar conseguindo voar emocionalmente sozinho.

Voltando, eu passei o ano de 2017 sofrendo várias quedas. Eu as caía e me reerguia. Ficava alguns meses limpo, mas caía. E sempre tentando justificar, culpando meu pai e minha madrasta pelo falta de apoio. Eu estava racionalizando atitudes e me colocando no centro das atenções, meu ego inflava toda vez que eu racionalizava, que imaturidade minha não?

Depois de um longo afastamento, voltei para meu antigo trabalho no Bradesco, onde novamente problemas surgiram e eu comecei a acumular ressentimento, raiva, insegurança e muitas outras sensações que justificariam meu uso. Meu relacionamento com uma pessoa em questão ajudava nesse processo de me manter no ciclo abusivo do uso.

Em janeiro de 2018 eu estava exatamente no mesmo estágio de uso de junho de 2016. Um uso abusivo e frenético onde eu não conseguia saber se era eu que estava pensando ou a cocaína que estava articulando. Já estava envolvido demasiadamente no processo de recaída e já estava manipulando da mesma maneira.

Fui desligado do Bradesco, em fevereiro e saí com uma grana preta de lá. E advinha o que eu fiz? Me mantive no processo de recaída até julho de 2018 onde já não estava aguentando mais com meu físico. Só que dessa vez eu não tinha mais meu pai para me ajudar. Eu nem o via com tanta frequência mais, não tinha porque pedir ajuda pra ele. Então conversei com uma amiga minha para realizar a internação, e acredite, eu consegui.

Dessa vez, sozinho, sem saber como agir, sem saber com quem falar e sem saber como fazer. Aprendi tudo no processo de internação. Os papéis em questão, a cartas, o atendimento, auditoria de plano e tudo mais. E quando eu vi, uma das minhas melhores amigas já estava me internando em julho de 2018 em uma das clínicas mais renomadas da América Latina.

Tratamento maravilhoso, um Spa literalmente. E advinha só quando recaí? Em janeiro de 2019. Mais uma vez a mesma queda no mesmo mês anos mais tarde. Eu estava inconsciente mente repetindo as mesmas atitudes e novamente me distanciando das pessoas que mais me amavam.

Essa recaída se intensificou até janeiro de 2020 quando perdi meu emprego em supermercado local que trabalhava devido à quantidade de faltas. E novamente, advinha o mês? Janeiro de 2020. Novamente tudo estava se repetindo.

Foi aí que me institucionalizei em fevereiro de 2020 e permaneci em uma comunidade terapêutica na cidade de Descalvado. Esse lugar não tinha o mesmo conforto que presenciei nos outros dois anteriores. Lá eu estava muito distante de casa e ao mesmo tempo me sentia muito só. Então, abdiquei do tratamento, e resolvi sair. Mas esta saída minha foi tão diferente, tão diferente que nem sei explicar como foi ficar 30 dias lá.

Eu saí com medo da onde meu vício poderia me levar. Saí com medo de chatear minha família e saí com medo de perder as rédias da minha vida novamente. Hoje eu penso em crescer, almejo coisas pequenas e contemplo feitios pequenos mas que para mim tem alta relevância.

Mas enfim, o que tudo isso tem haver em como ajudar um dependente químico que recaiu?

A resposta é tudo! Se você é familiar, tem que entender por mais que a doença não seja sua, você também esta incluso no pacote, você também atua tanto na recuperação quanto no agravamento do quadro.

Você é coodependente e influencia demais em como o dependente químico criou gatilhos e os sentimentos gerados. Você tem que avaliar se têm de ser mais duro ou mais brando. Se tem que abraçar mais ou soltar mais, tudo depende da quantidade de tombos que essa pessoa já teve e como consequência, o quanto afetou a relação de vocês, quanto vocês já perderam, e o quanto já sofreram?

A memória eufórica do dependente químico está aliada as situações que ele criou ou vai criar. É um ciclo e tudo nele se repete. Seja nos dias, nos meses, nos anos, e nas atitudes perante à si e aos outros envolvidos.

Se não souber como resolver e se perguntar – “meu Deus, o que eu fiz de errado?” Parabéns, você é uma pessoa normal. Não é fácil tratar esse tipo de doença.

Você não é o super-homem ou super-heroína da sua família. Todas as famílias tem problemas e muitas pessoas estão envolvidas no processo de solucionar esse problema, ainda mais tentar ajudar uma pessoa que sequer sabe se realmente quer ajuda.

Para finalizar, procurar ajuda psicológica e psiquiátrica é o principal agora. Ambos tem que se respaldar emocionalmente para não se criarem uma relação maior ainda de coodependência. Isso em estágio inicial, se o dependente está com um uso rotineiro mas ainda em casa.

As vezes mesmo nesse uso, é necessário uma conscientização do processo de internação (meu caso). Pois como citado em outro artigo, (clique aqui), estar em abstenção auxilia no processo de aderir ao tratamento.

Quando o adicto está em uso frenético e descontrolado (vendendo coisas de casa ou na rua) na maioria das vezes feito o processo de internação, seja ela voluntária ou não. Pode doer muito para todas as partes, mas é o necessário. A família as vezes se culpa, mas ao mesmo tempo está exercendo um papel importantíssimo na recuperação, cessando o processo de uso.

Se você é amigo, ou conhecido da pessoa, faça uma intervenção. Converse com o a pessoa que sofre da adicção, escutar é um processo maravilhoso. Tudo o que ela sente, as vezes isso, faz até com que ela não procure entrar no processo de recaída naquele dia. Mas ao mesmo tempo você não pode carregar esse fardo sozinho. Tente conscientizar a pessoa dos programas de apoio para ela e sua família. Ajude-a a entender que realmente “ela não está sozinha” e que você pode auxiliar no processo da recuperação. Mas conscientize a família de que aquele ente querido está sofrendo e não sabe como se ajudar.

Tudo que expliquei nesse texto, foi embasado na minha vivência, em meus tombos e na maneira que lidei no relacionamento do Renan adicto com o mundo, pessoas e entes queridos.

“Nunca é tarde para se tratar e nunca é tarde para se viver!”

Renan Rugolo Ré
 
Renan Rugolo Ré
Renan Rugolo Ré

“Não somos responsáveis pela nossa doença, mas somos responsáveis pela nossa recuperação”